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Um Professor, pirata, poeta... fotógrafo... Ator... Sou tudo isso... e quem sabe, o mais importante de mim... Sou um SONHADOR!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis?

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis?

Está complicado denunciar tudo. Está difícil falar sobre tudo.
No mundo está acontecendo uma destruição em massa. Em que nudez é crime perigoso,
em que Deus é o juiz que fala pelas nossas bocas, e pior, somos julgados por um deus o qual
se coloca em alguma religião específica e diz e manda em nossa vida.

Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?
Bertolt Brecht

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis? 
Vegetarianismo? E ser atacado por um sentido óbvio... Achamos normal esta matança desenfreada de animais? Em que é absolutamente correto matar os bichos ao nosso próprio proveito. Em que tentar ser vegetariano é motivo de piadas e chacotas. não é "só" pelos animais. (Como se já não fosse o suficiente). É por toda política de controle do mundo. Não é honesto, é desumano, triste. As indústrias da carnificina nos conduzem para algo que acreditamos ser normal, acreditamos que a carne é algo acima do nosso poder. Quem foi que começou com essa merda? 

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis? 
Política brasileira? E ser atacado por não concordar com um Golpe de impedimento de uma presidenta a qual foi colocada no poder de forma democrática e retirada do poder de forma absurda. 
Sinto que estamos parados na luta, e que lutar por um país melhor é crime. Mas sair com champanhe para comemorar um golpe vestindo verde e amarelo ao lado de pessoas tão ou mais corruptas não era crime, porque simplesmente era uma elite branca e conservadora que dominava o cenário sobre sua opinião e opressão. Dói ser professor e ouvir de colegas e alunos que o melhor a se fazer é dar as costas para o nosso país. Ir morar nos EUA, Canadá e etc. Que sair daqui é o melhor a se fazer no atual cenário.  
E quem não pode ir? 
Sem contar com toda esta corja que está mucumunada com Michel Temer, o golpista, o que fazemos com isso? 
Agora servimos rações às pessoas que tem fome e pérolas aos que tem grana. 
Não vou nem me atrever a falar sobre a esquerda X direita... pq essa briga já deu até guerra. Mas não podemos continuar achando normal uns terem tanto e outros tão pouco. E não digo isso porque sou dos que tem pouco. 

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis? 
Educação? Hum... sei não... difícil, pois está complicado acreditar em um processo educacional em que professores são autoridade em sala de aula e alunos são seres condicionados em que são obrigados a obedecer. Acho que as relações estão sendo confundidas. 
Como falar de educação com moralidade e religião? Ou melhor, falar de educação com gente que acha normal levar as crianças para a Disney, para aprender a brincar, ser feliz e aprender o que significa cultura. 
Sim, eu tenho muita coisa contra a Disney. Acho um universo que não faz pensar e extremamente ofensivo às crianças. Que satisfaz o ego da criança que vai e destrói o da criança que não pode ir. 
E quem ensina a criança a amar este universo, são os pais e não de forma natural como quem ama brincar com a caixa do brinquedo. 
Aí muitos me diriam... ah... mais tem muita coisa boa na Disney. E eu diria... assim como na Rede Globo, em muitos filmes e no cemitério também. 

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis? 
Censuras nos museus? Ixi, está cada vez mais difícil falar disso. Pois o conservadorismo está ganhando em uma proporção absurda. Adolescentes não sabem o que é sexo neste país. Não podem mais entrar em um museu com obras de arte com nudez, mas tudo bem as novelas e filmes e propagandas em que expomos nossas crianças. 
Vendemos as crianças à aparelhos eletrônicos, televisão com desenhos animados que não elevam o pensamento, propaganda, consumismo, má alimentação. Mas às obras de arte que fazem parte da cultura mundial, do pensamento humano, da responsabilidade do pensamento crítico, nós estamos de forma muito conservadora, proibindo que tenham contato. 
Sem contar com o machismo que expomos nossos meninos ao colocar-los frente à revistas pornográficas aos 13 anos de idade para ensinar-lhes a ser machos, mas à arte nós os privamos. 

Sobre o que escrever em tempos tão difíceis? 
Não sei... melhor ficar calado. Pensando, pensando... 

Thiago Leite



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Caso Perdido

Estou participando de um espetáculo chamado CASO PERDIDO, escrito por Amauri Falseti e estreado pela Cia Paidéia de Teatro com a super participação do Núcleo de vivência teatral da Paidéia. 

Neste espetáculo tratamos dos Casos Perdidos do mundo, jovens, que de várias formas são para o mundo, inconsequentes, destruidores, bagunceiros, que falam demais e etc. Tratamos assim pela alma, como um grito de responsabilidade de quem somos nós. O que fazemos neste mundo? Como atuamos nele? 

De cenas de casa, entre amigos, e na escola, expomos detalhes de um sonho ser alguém que é visto no presente, e não como um futuro cidadão apenas. Somos no presente. E este é o enredo que a Paidéia trata de perto e com muito carinho. 

NOTA:
Sou professor, leciono teatro, arte, literatura e língua portuguesa. (Todas estas, leciono ou já lecionei). Atualmente tenho me deparado com o mais lindo trabalho de professor. Estimulando jovens a buscar mais do seu próprio conhecimento do mundo. Conhecimento este que faz do mundo um lugar cada vez melhor. 

Cada olhar inquietante, cada sorriso ensurdecedor, cada esfregar de mãos na ansia de começar as atividades eu tenho me deparado. Ações estas que me fazem sonhar com o mundo que quero viver, seja utopicamente ou seja realisticamente, mas sonho. 

Tenho me deparado com momentos em que a escola tem, pelo menos nas lacunas de minhas aulas, sido um tempo livre para estudo. As crianças tem participado das minhas aulas como quem participa de uma expedição ao fundo do mar, experimentando e tocando e detalhes e riquezas, talvez, jamais vistas por elas antes. Outras, sem tocar, mas a observar atentamente com olhos sedentos de tanta curiosidade. 
FIM DA NOTA

Mediante a este meu trabalho de professor, tenho me deparado ao mundo maravilhoso que é dar aulas. Não perco meu tempo, muito menos faço meus alunos perderem o deles. Questionamos, viramos o mundo de ponta cabeça tendo a certeza que estamos fuçando nos mínimos detalhes dos assuntos, sem a preocupação do tempo que voa, passa, segue, mas nós, ficamos, aproveitando cada detalhe de segundo. 

Venha assistir a esta peça, que grito com amor o presente dado como dádiva àqueles que nos assistem e são convidados às nossas reflexões com muito amor. Cada cena, cada olhar e cada palavra dadas com a certeza de que estamos mudando este mundo para um lugar melhor. 

à luta! 

Thiago Leite
Set- 2017

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

MENTIRAS E VERDADES

Profundamente o ser...
Em meu profundo, faço o contato comigo mesmo, com o meu sentido,
com os meus sentidos...
Em sentido, me prostro para realizar as mais lindas e estranhas tarefas.
O artista mente, o poeta mente. Todos mentem em sentido real.
Palavras são apenas palavras medidas em contexto absoluto do ser escrito.

Mentir, medir... Manar, amar...
Minto-me, minto.
O mentir artístico não revela quem sou, um mentiroso. Apenas revela o que
estou. Estar em mentira para revelar outras mil verdades.
Mentir o sentido da poesia é menos pior que mentir
o Sentido de um Soldado.

Tenho medo do sentido do soldado, aquele soldado
pronto à soldar-me. Ligar o mundo em seus objetivos autoritários.
Arte de mentir não limita minha arte de medir sentidos...
Nossos sentidos.

Agradeço à cada astro que me deu Luz.
Aos deuses que me deram ideias,
Ao Deus que me deu medo,
Aos amigos que me deram sentido...
Ao filho que me deu sentimento.

A tarefa do artista é mentir para todos,
é revelar à todos suas verdades, verdades de cada um,
vestidas de outros sentidos.
Verdades, menos a do artista, pois ninguém
sabe as que ele tem. Ele as mente.
Artista esconde...

Pessoa diria... "Sentir? Sinta quem..."
QUER.

Boa noite.

(Thiago Leite)


quinta-feira, 22 de junho de 2017

De outra vida.

Nos seus olhos, profundidade.
Tua pele, minha fraqueza;
Cheiro, desejo e contato.
Não há mais espaço entre nós.

O espaço que existe entre nós,
chamo de universo... contente.
Universo da gente. Do contato infinito.
Ternura indescritível e celeste.

Intimidade sublime e forte,
do tão eu, tão você. Conta-me estrelas
em nossa galáxia derradeira.
Contato, galáxia, tempo íntimo.

Música enquanto sinto teu corpo,
Dança nos teus movimentos,
respirar teu ar direto, teu respirar me consola.
Entre teus movimentos cardíacos passeio sem rumo.

Não há eu além de nós.
Sou dois, e vivo assim até o fim, caminhando em nós.
Caminho sem rumo, flutuo sem oxigênio, sufoco-me de amor.
De amar, caminho...  nossa dupla dor.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lua dos olhares...

Todo homem e toda mulher que um dia pensaram o mundo...
de alguma forma, criaram a sua própria Lua. Aquela dos nossos sonhos.
Teus, nossos formosos sonhos enluarados criticados em desejos noturnos e
espantos matinais em comuns pensamentos de beleza e tristeza...

Tudo é belo e triste... Como a Lua. Tão distinta em inúmeros olhares...
tão diferente em milhões de apreciadores. Cada qual com sua Lua.
Mas a Terra, aprecia apenas uma. Sou poeta da Lua, escreve abaixo do Sol.

A Lua, tão solitária em meio a tantos penduricalhos brilhantes que nos fazem chorar,
atua em seu teatro celeste dentre os meus mais profundos momentos de contemplação...
me viro, vejo a Lua caminhar. Ao meu lado, outro amigo a soluçar pela mesma imagem, mas mal sabe o inocente que a Lua dele é diferente.

Para o apaixonado, ela é triste.
Para o amante, Tão linda!
Para a criança, há dúvida;
Para o abandonado, companhia;
Para o filho, a mãe;
Para o triste, a paixão;
para o Sol, seu avesso;
para cada ser, há uma Lua;
Para mim... O Luar.

cada olhar, uma Lua.

(Thiago Leite)

segunda-feira, 6 de março de 2017

A ÁRVORE TRISTE

A árvore triste. (nota sobre este nome: Estava escrevendo esta história no pátio da escola que trabalho, quando em algum ponto que escrevia sobre ela, uma criança chamada Alexandre se aproximou de mim, me deu um beijo e perguntou o que fazia, eu lhe disse algo sobre a história de uma árvore, ele então me deu a ideia de um nome, porque oras, minha história ainda não tinha nome... A árvore triste.)

Era uma vez uma árvore...
Não, calma. Desculpe... sem essa de “era uma vez...” Porque não foi só uma vez não.
Que tal então assim...

Eram muitas vezes... Uma árvore! Dentro de uma praça. Aquelas seringueiras gigantescas que vão se unindo em galhos e cipós. Tão grande, tão densa. Tão imponente e cheia de si. Naquela praça, parece que só havia a árvore.

Mas não só. Lá havia muitas coisas, como bancos, outras pequenas árvores de médio porte que olhando de longe, parece que se escondiam e ficavam tímidas detrás da grande seringueira.

Era uma praça comum, como qualquer outra praça... De fato para quem não tem olho de poeta, geralmente não consegue olhar mesmo o que há por lá. Eu mesmo, eu mesmo nunca havia reparado com esse tal olhar diferenciado.

Acontece que pra tudo tem uma primeira vez. Estava em um dia bem ruim. Lembrando das coisas ruins que a vida me deu. Bastava uma brisa pros olhos virarem água como o mar, bem salgadinho.

Saí do trabalho pra almoçar, mas a fome não vinha, queria mesmo era um sorvetão daqueles que adoçam o dedão do pé. Foi o que fiz, corri num lugarejo que vendia o tal sorvete, sentei-me de frente pra praça e comecei a ladainha dos meus pensamentos tortos e oriundos. Deparei-me com o sal no rosto misturado com o açúcar do sorvete.

Algo me chamou a atenção, do meio da seringueira, como um peixe que brinca entre os corais no oceano, saindo e entrando naquelas fissuras ou algum nome próximo disso, havia uma criança brincando entre as galhas da árvore gigante. A criança sumia e aparecia. Feliz, brincava e degustava a árvore como seu próprio coração.

Algo em mim parou e refletiu. O resto continuou a reclamar de todas as mazelas da minha vida morna e aparentemente vazia.

Começou então a ser rotina na minha vida parar de frente à árvore e degusta-la como a um quadro pintado à mão.  Havia dia que a criança não estava, e outras tantas vezes ela estava e fazia daquela árvore seu grande castelo.

Tinha dia que ele brincava tanto que só de olhar eu me cansava, aquela árvore era tão grande perto dele... Um dia, era um ninho de cobras que o atacavam e ele se fazia de vítima, gritava altos palavrões tentando de desemaranhar daquelas famintas cobras. Outros tantos dias, a árvore se tornava um grande castelo, que ele era o guarda e deveria defende-lo de qualquer perigo eminente. Da praça toda se ouvia os gritos...

Comecei então a neste momento parar de refletir em minha vida, para observar e me divertir com as histórias que o menino me contava. Uma mais interessante que a outra. 
No fim das contas, transformei meu almoço em hora do teatro na praça. E não só assistia ao pequeno ator que me mostrava a vida que a árvore tinha, quanto passei a reparar como o teatro do menino passou a incomodar a cada grito que ele dava.

Um certo dia. Especial como qualquer outro dia especial. Uma mulher de idade desconhecida e profissão indefinida passou e deu a ele um livro. Muitos pensaram que talvez o menino não soubesse ler. Ele levou o livro. Não sei qual foi o livro, mas sei que a história do dia seguinte tinha a ver com este ato literário.

Uma semana depois, a ação se repetiu. Ele outro livro ganhou. E a cada semana isso foi se repetindo como ensaios em um teatro. Comecei a reparar que o repertório das brincadeiras foi aumentando. E cada brincadeira na seringueira foi tendo cada vez mais corpo e alma. O teatro do menino da árvore da praça era vivo. Era forte. Resistente.

Algumas pessoas com o passar do tempo foram reparando mais no menino e no teatro que ele fazia. Repararam tanto, que um dia se incomodaram de tal forma que para elas o maior teatro, foi quando ele ao invés de gritar e brincar por entre os galhos da árvore, ele sentou-se e abriu um dos livros que ganhou, começou a ler. Todos pararam para ver.

O menino começou a ler ali todos os dias. Até que um dia bem pouco especial estava lá ele fazendo o que sempre fazia e um homem vestido normalmente, com atitudes bem pouco normais chamou o menino, chamou muito. Ele não ouvia, estava muito concentrado. O homem cansado de chamar, deu as costas e mais tarde um pouco voltou com policiais. Apontou para o menino. Os policiais pegaram o menino pelo braço. O levaram.

Aquilo não foi um teatro do menino. Aquilo foi o show deles... Muitos acharam interessante pelas suas caras satisfatórias.

Por um mês continuei frequentando a praça na hora do meu almoço na esperança de ver um teatro. Mas o palco estava vazio.


Thiago Leite
Março - 2017

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

M E D O D A E S C O L A








Foto: Thiago Leite

Quais são suas frescuras, seus medos e anseios? 
Repara-se do fundo das nossas entranhas a nossa incapacidade de se desprender de certos melindres, de certos costumes que nos foram colocados. 

Uma criança consegue, se possível, driblar o mundo nestas questões. Pense, como seria se uma criança pudesse ter mais autonomia em suas brincadeiras e escolhas. Esqueça os padrões e costumes. O que você consegue imaginar? 

Muito bem, em um mundo de conhecimentos diversos, espantar-se com uma criança suja é até lindo, mas de poucos aspectos culturais bombardeamos uma criança suja em determinado contexto. Passa-se a ser ruim uma criança voltar suja da escola. Voltar suja de uma festa que foi. 

Estou aprendendo a me desprender de certas coisas que me fazem este ser que julga com olhares padronizados. Tento mudar meu pensamento em questão de como a criança se comporta em relação ao mundo que a rodeia. O que quer uma criança? 

Convido a todos para esta reflexão. 


Mergulho em meu ser, 
Mergulho na lama. Na água, no Sol. 
Mundo meu, mergulho do mundo.
Dê-me o seu mundo para mergulhar. 

Cheiro de tudo, cheiro... 
Acho engraçado o cheiro. Tem cheiro bom, tem cheiro ruim. 
Eu que decido. Cheiro de pum, de terra. De Lua. 
Não me incomodo. 

Não me obrigue a ser educado por ser educado. 
Me ensine a respeitar com educação. 
De sangues derramados, nenhum faz sentido para mim. 
Ditadura, não sei o que significa. Proibir? 

Lambe portão, lambe terra, meia suja eu pego na mão. 
Xixi na piscina, cocô no matinho e medo do desconhecido. 
Não me ensine o sexo, nem o medo. Não me ensine o que sou. 
Lambe o braço? Sente o mesmo gosto que eu. Sujeira. 

Não tenho nojo. Não me ensine o nojo. 
Gosto de pão. 
Não me ensine a mexer no celular para depois proibir. 
Não me ensine a mexer no celular e depois diga que só sei fazer isso. 

Me mostre o mundo, para que eu saiba escolher o que quero 
e não que escolham por mim. 
Descubra as entranhas da sujeira e me diga se é bom. 
Não me faça ver o mundo como você vê. Me mostre o mundo. Eu escolho como verei. 




ESCOLA...